Em conversa com Brennan & Partners

Em conversa com Brennan & Partners

30 de junho de 2021

Apresentada pela Brennan & Partners, Peter Mather (Presidente Regional do Grupo Europa e Chefe do Reino Unido, BP plc), Dr. Clive Dix (CEO, C4X Discovery plc e ex-Presidente da Força-Tarefa de Vacinas do Reino Unido) e professor Sir Mark Walport (Senior Advisor, Brennan & Partners) a reunião discutiu sustentabilidade corporativa e inovação para o futuro. O painel foi moderado pela Rt Hon Claire O’Neill (Diretora Executiva do Conselho Empresarial Mundial de Clima e Energia para o Desenvolvimento Sustentável) e a sessão foi aberta e encerrada pelo Rt Hon Sir Hugo Swire (Presidente do Conselho Consultivo Internacional, Brennan & Partners).

A conversa explorou a importância da sustentabilidade e da inovação para o futuro da sociedade, com foco no desejo de mudança por parte de uma ampla variedade de stakeholders e alteração da infraestrutura política necessária para o sucesso. A discussão também refletiu sobre o modelo de investimento adotado até o momento e a oportunidade que a pandemia da COVID-19 apresentou para uma abordagem diferente em empreendimentos futuros.

Os temas que surgiram incluíram:

>> Motivação para mudança – em contraste com a pandemia, o impacto da falta de sustentabilidade ou inovação é lento ou desconhecido. No entanto, a pandemia ofereceu uma oportunidade de reflexão e redefinição de prioridades para os setores público e privado, bem como para os indivíduos pessoalmente. Embora a sustentabilidade seja uma jornada de longo prazo, ela agora é uma parte necessária da conversa, não apenas pelos benefícios e oportunidades que apresenta, mas também porque é uma preocupação central dos cidadãos e consumidores em todo o mundo.

>> Ambiente legislativo – As empresas privadas podem ser desencorajadas de investir em sustentabilidade e inovação devido aos altos custos iniciais. Os governos podem desempenhar um papel na estimulação do investimento por meio do estabelecimento de normas, medidas, tarifas e acordos comerciais nacionais e internacionais, como preços de carbono ou regulamentações ambientais comuns. Isso pode incentivar o investimento e fornecer um ambiente competitivo uniforme para as empresas que buscam competir com operadores já estabelecidos ou que agem de má-fé. Exemplos de sucesso incluem os setores solar e eólico, e as lições podem ser aprendidas com esses mercados e aplicadas a outros. Além disso, a adoção de normas comuns permite a transparência e a capacidade dos consumidores e investidores de avaliar as empresas, o que, por sua vez, proporcionará um impulso de autoperpetuação e um ímpeto para a mudança.

>> Ação governamental – Os governos podem agir diretamente, atuando como clientes de iniciativas de inovação e sustentabilidade. A aceitação do setor público de níveis mais elevados de risco mitiga os riscos de investimento para o setor privado, permitindo-lhes buscar iniciativas que podem ter sido anteriormente consideradas inviáveis. Nesse aspecto, a pandemia COVID-19 pode atuar como um catalisador para mudanças, semelhante ao papel que a guerra desempenhou em trazer inovações ao mercado durante o século XX. Além disso, os governos podem promover a sustentabilidade e a inovação por meio do alinhamento de padrões de relatórios e do estabelecimento de consequências para aqueles que violam os requisitos. Áreas como ética e anticorrupção foram bem-sucedidas devido à incorporação da responsabilidade no nível executivo, e a sustentabilidade pode ser outra área que se beneficiaria com essa abordagem para impulsionar uma mudança de comportamento.

>> Estratégias de investimento – os modelos de investimento precisam se afastar de um foco puro na eficiência e nos custos como os principais motivadores para a tomada de decisões. PPE é um exemplo recente de onde esses condutores trabalharam em detrimento de nações que terceirizaram sua capacidade de fabricação e se viram incapazes de atender a demanda doméstica durante a pandemia de COVID-19. É necessária uma abordagem mais equilibrada que não seja apenas impulsionada por orçamentos e favoreça benefícios de longo prazo, como segurança da cadeia de abastecimento, qualidade, sustentabilidade, etc. As consequências dessa abordagem podem significar diversidade reduzida de produtos ou preços mais altos, mas compensações positivas podem incluir maior qualidade do produto, soluções inovadoras e paz de espírito para a integridade das cadeias de abastecimento.

>> Parceria – maior colaboração é necessária entre as organizações para viabilizar um ambiente de mudança. A pandemia COVID-19 demonstrou os resultados que a cooperação em prol de um objetivo combinado pode alcançar no setor de saúde,com governos e empresas farmacêuticas se unindo para entregar vacinas em um prazo sem precedentes. Questões como prevenção de doenças e produção de alimentos não podem ser resolvidas apenas por empresas individuais ou mesmo setores isolados, e exigem um esforço colaborativo de várias partes interessadas para projetar e fornecer soluções sustentáveis de longo prazo.

>> Consumidores – o poder dos consumidores aumentou enormemente e a sustentabilidade, em particular, é uma área de grande poder e ativismo. A onipresença dos dados disponíveis agora permite que os consumidores façam escolhas informadas de compra e investimento. Os consumidores são as principais partes interessadas e sua influência ao considerar a sustentabilidade para impulsionar a inovação dos setores público e privado não pode ser ignorada. Um exemplo citado foi o vegetarianismo, que nos últimos vinte anos aumentou sua participação no mercado e agora é uma oferta padrão nos setores de mercearia e hospitalidade. Além disso, os cidadãos também podem exercer sua influência nas urnas para impulsionar uma agenda sustentável, desafiando a política e o setor público a se adaptarem e encontrarem novas soluções para as questões que lhes interessam.

>> Investidores – os investidores e a área de mercado de capitais atuam como catalisadores de mudanças. Embora o meio ambiente tenha sido o primeiro elemento da sustentabilidade a alcançar ampla aceitação entre os investidores, a importância de um entendimento abrangente e do compromisso com a sustentabilidade é cada vez mais reconhecida em todos os mercados, como nos mercados de capitais dos EUA.

>> Tecnologia – o avanço da tecnologia reduz tanto as barreiras quanto os riscos para mudanças. Aproveitar tecnologias como inteligência de dados, computação quântica e aprendizagem artificial também permitirá que os benefícios das inovações e da sustentabilidade sejam percebidos com uma rapidez nunca antes vista.

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