Em conversa com Brennan & Partners

26 de novembro de 2021

A resiliência econômica, uma posição geopolítica favorável, e uma riqueza de oportunidades estiveram entre as principais conclusões do “Doing Business in Latin America”, o quarto evento “In Conversation With” organizado pela Brennan & Partners, em parceria com o Commonwealth Enterprise and Investment Council. Foram reunidos 78 participantes de toda a Europa, América Latina e da Commonwealth, assim como um painel de especialistas convidados para discutir as previsões econômicas, sociais e de crescimento da região.

Entre os palestrantes estiveram presentes o Dr. José Antonio Meade Kuribreña (Consultor Sênior, Brennan & Partners; Membro do Conselho de Administração, HSBC Holdings); Ana Paula Vescovi (Economista Chefe, Santander Brasil); Lord Marland (Presidente, CWEIC); e Luis Enrique García (Consultor Sênior, Brennan & Partners; antigo Director Executivo, Banco de Desenvolvimento da América Latina – CAF). Essa sessão foi moderada pelo Editor do jornal Finacial Times para América Latina, Michael Stott, com abertura de Alexander Brennan (CEO, Brennan & Partners), Samantha Cohen (CEO, CWEIC) e o Sir Hugo Swire (Conselheiro, Comité Inter consultivo Internacional, Brennan & Partners; Conselheiro Interino, CWEIC), quem também encerrou a discussão.

Entre os temas que apareceram na discussão estavam:

>> Potencial econômico: embora a América Latina tenha aprensetado um fraco desempenho nas últimas décadas, tanto em relação ao seu potencial como ao seu desempenho anterior, é impreciso considerar a região como uma que não tenha um potencial elevado. O Produto Interno Bruto (PIB) pré-pandêmico foi estimado em £6tn, o dobro do Reino Unido, e o seu PIB per capita foi apenas ligeiramente inferior ao da China, estimado em £9.000. O baixo crescimento da produtividade, a falta de talentos competentes, e a falta de tecnologia para aproveitar os recursos naturais levou a uma baixa no investimento que dificultou o desenvolvimento. Com o aumento do investimento interno e externo, um mercado tecnológico crescente e mudanças regulamentares, a região pode cada vez mais atingir o seu potencial.

>> Posição geopolítica favorável: em contraste com outras regiões de potencial elevado, a América Latina está praticamente ausente de conflitos armados, terrorismo e instabilidade política. Isto a torna um ambiente oportuno para um investimento sustentável a longo prazo. A sua capacidade de acesso a uma variedade de mercados presenta-se em uma perspectiva ainda mais atrativa. Geográfica e culturalmente próxima dos EUA com os quais compartilha fusos horários, é também uma porta de entrada para a Ásia-Pacífico e para o resto das Américas, facilitando o acesso direito ao mercado turístico do Caribe. Poucas regiões combinam globalmente estabilidade com amplitude de mercado e acesso setorial.

>> Diversidade setorial: o México continua a ser uma potência econômica na América Latina, contribuindo com mais da metade das exportações de toda a região. No entanto, não são apenas os setores de automóveis e manufacturas tradicionais que estão a estimular as exportações. Em toda a região, no México ao Brasil, passando pelo Equador, outras indústrias estão a expandindo. A tecnologia está a se tornando rapidamente num setor de importância vital, e com brechas de talentos competentes reduzindo outros setores, como a agricultura, aeroespacial, fintech, componentes médicos e cuidados de saúde. Os setores das fintech e do varejo são os que estão mais se beneficiando de uma mão-de-obra cada vez mais qualificada e ambiciosa.

>> Recuperação da COVID-19: embora é uma das regiões mais atingidas pela pandemia da COVID-19, a América Latina está bem encaminhada para a recuperação. O Governo brasileiro pretende que os seus cidadãos sejam totalmente vacinados até o final do ano. A capacidade de exportação provou ser altamente resistente, com o México que está exportando mais hoje do que antes da pandemia. Nas finanças, a tecnologia e a energia sofreram acelerações de inspiração pandêmica nos últimos 24 meses e estão a mostrar poucos sinais de diminuição.

>> Ambiente regulatório: os governos têm investido em quadros regulatórios e condições comerciais favoráveis em toda a região já há algum tempo. O Brasil está sofrendo a sua segunda grande onda de reformas desde que a redemocratização começou na década de 1980. Uma política de consolidação fiscal levou a um mercado de capitais privados que duplicou desde 2017 e continua a desfrutar de um crescimento de dois dígitos em 2021. O sistema de pagamentos rápidos do banco central “Pix” inspirou ainda mais o crescimento, permitindo ao varejo e à hospitalidade em particular se beneficiarem de pagamentos instantâneos em tempo real, abrindo novas oportunidades para as empresas e os consumidores.

>> Investindo para o futuro: com tanto potencial em tantos mercados e setores, e com tanta abundância de recursos, a região apresenta inegáveis – e significativas – oportunidades de investimento. Apesar de ter uma elevada concentração de mercadorias e recursos naturais, o crescimento regional é limitado pela falta de investimento em infra-estruturas, tecnologia, e capital financeiro interno limitado. O Chile, a Argentina e a Bolívia possuem reservas significativas de lítio, um componente chave na indústria e na tecnologia, mas estas permaneceram em grande parte inexploradas devido a uma falta de investimento viável. Uma perspectiva a longo prazo permite aos investidores mitigar os riscos cambiais, com áreas-chave como a energia, infra-estruturas, competências e tecnologia, todas elas suscetíveis de prosperar a partir do investimento estrangeiro.

>> Janela de oportunidade: uma falta de conhecimento sobre a oportunidade apresentada pela América Latina, particularmente no Reino Unido, foi notada pelo painel. Durante a última década, a China tem investido fortemente em toda a América Latina, inicialmente através do governo chinês, mas mais recentemente foram investidos 100 bilhões de dólares por bancos de desenvolvimento em setores estratégicos, tais como, electricidade, energia e infra-estrutura. O investimento britânico na região tem sido limitado, mas as empresas britânicas pós-Brexit devem considerar a oportunidade apresentada por uma região geopoliticamente estável com uma economia 30% maior do que a da Índia.

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