Em conversa com Brennan & Partners

23 de março de 2021

Conduzido pela Brennan & Partners, com a contribuição do  Sr. Leif Johansson (Presidente, AstraZeneca), Professor Sir Mark Walport (Conselheiro Sênior, Brennan & Partners), e Lord Sedwill (Enviadodo G7 para Resiliência Econômica) o evento teve como foco de discussão a resiliência e segurança das cadeias de abastecimento em um mundo pós COVID-19. O painel foi moderado pela Baronesa Manningham-Buller (Co-Presidente, Chatham House e Presidente, The Wellcome Trust) e a sessão foi iniciada e encerrada pelo The Rt Hon Sir Hugo Swire (Presidente do Conselho Consultivo Internacional, Brennan & Partners).

A conversa explorou os desafios e oportunidades gerados pela COVID-19, mas ressaltou a importância de relacioná-los ao contexto de futuros grandes eventos naturais que o mundo possivelmente enfrentará, como por exemplo uma próxima pandemia, uma nuvem de cinzas tóxicas, o impacto das mudanças climáticas ou algum outro fenômeno. O COVID-19 ensinou muitas lições sobre a necessidade de investimento em uma melhor proteção da saúde pública a nível global e nacional contra infecções pandêmicas, além de ressaltar o poder da genômica e tecnologias modernas de vacina. Também ilustrou a importância vital de uma comunicação efetiva e cooperação em todos os níveis e entre países.

Entre os temas que surgiram na reunião incluem-se:

>> Economia e cooperação empresarial e governamental – Empresas e governos precisam considerar tendências econômicas de longo-prazo e, em conformidade com essas, tomar decisões econômicas e fazer investimentos a longo prazo para apoiar a resiliência e segurança das cadeias de abastecimento com enfâse não somente nas economias de escala mas também nas economias de habilidade – uma vez que uma ou ambas delas podem reduzir ou aumentar a cadeia de abastecimento e, consequentemente, intensificar a necessidade de proteção à sua resiliência. Um exemplo é como a China investiu na extração de minerais raros e Taiwan na produção massiva de semicondutores. O planejamento estratégico e, quando apropriado, a intervenção governamental podem ser altamente benéficos para as cadeias de abastecimento locais e internacionais. No entanto, os governos não devem exceder, distorcer ou burocratizar de forma insustentável as forças de mercado. Cadeias de abastecimento internacionais e globais permitiram que economias de escala e agora de habilidades se desenvolvessem e consolidassem dentro de setores. Alguns produtos ainda têm preços semelhantes aos de anos atrás por causa dessas mudanças no desenvolvimento da cadeia de abastecimento.

>> Infraestrutura – vital para a efetividade das cadeias de abastecimento, a evolução de infraestrutura oferece ao mesmo tempo oportunidades significativas e potencias riscos ou até mesmo ameças. A competitividade de preços de meios de transporte tradicionais, como por exemplo ferrovias versus transporte marítimo, favoreceu o desenvolvimento de uma interdependência um tanto desestruturada entre países, em especial China e o Ocidente. O COVID-19 expôs as fragilidades disso, como a escassez mundial de EPI apenas alguns dias antes do início da pandemia. É preciso enfatizar que a tecnologia e a comunicação são pilares cada vez mais críticos da infraestrutura global. Para o futuro próximo, o 5G é um bom exemplo do papel que desempenhará como força motriz da inovação, conectividade e eficiência. No entanto, há uma falta de resiliência do mercado, pois, por uma série de razões, o 5G está confinado a um número muito pequeno de fornecedores dominantes. Quando a oferta Chinesa foi afetada pelas sanções impostas pelos Estados Unidos, havia capacidade insuficiente para atender a demanda.

>> Tecnologia – existe um enorme potencial para a tecnologia ao longo de todas as cadeias de abastecimento, especialmente em relação à capacidade, abastecimento e segurança além de resiliência e continuidade. Um exemplo é a validação digital de produtos dentro de uma cadeia de abastecimento visando autenticar origem e qualidade. Além disso, as tecnologias distribuídas de ledger e inteligência artificial podem ajudar a informar a tomada de decisões e inovação. Estando cada vez mais ligada à tecnologia, a educação ajudará a cultivar habilidades associadas e inevitavelmente contribuir para o avanço e aplicação contínuos de tecnologia e inovação.

>> Governo – O COVID-19 mostrou como poucos governos estavam totalmente preparados para uma pandemia, tanto a nível geral quanto em relação às cadeias de abastecimento para uma gama de produtos críticos e não críticos. Os governos devem aplicar esses aprendizados para estarem melhor preparados para o próximo grande evento natural, ao invés de virarem especialistas em fenômenos passados. Isso significa um investimento na resiliência das cadeias de abastecimento e apólices de seguro. Mesmo que essas apólices não sejam todas usadas, algumas delas serão. Governos têm a envergadura e posição para influenciar comportamentos e também devem dar o exemplo. Isso se estende especificamente à aquisições e necessidade de maior inovação e dinâmica nas compras vindas de suas próprias cadeias de abastecimento. A lição essencial é que, para garantir a resiliência das cadeias de abastecimento, o governo deve tentar responder com eficácia às necessidades dos setores de negócios.

>> Segurança alimentar – como um estudo de caso específico, muito pode ser aprendido de como as cadeias de abastecimento alimentares se destacaram durante a pandemia. Enquanto outras indústrias entraram em colapso, a de abastecimento alimentar demonstrou sua força e como o setor privado pode proporcionar essa resiliência. Os governos se beneficiarão se aprenderem com essa força e lembrarem de agir com moderação na hora de intervir. Apesar disso, o setor de segurança alimentar se mantém vulnerável à ameaça de outros grandes eventos naturais, como por exemplo doenças microbianas e o impacto das mudanças climáticas especialmente na agricultura, que podem ocasionar por exemplo amplas planícies de inundação.

>> Geopolítica – o mundo trabalha melhor quando trabalha junto. No entanto, o COVID-19 enfatizou a importância da soberania especialmente para as cadeias de abastecimento. Tem de haver regras, estruturas e, talvez o mais importante, relações responsáveis para que a colaboração e comércio internacionais funcionem positivamente. Sua escala significa que os EUA e a China – e a relação entre eles – têm papéis importantes na definição da agenda para a geopolítica. Outros membros do G7 e grupos multilaterais como o G20 e a OCDE também são essenciais como núcleos para a colaboração global.

>> Pessoas – apesar de incitarem um foco principal em produtos, as cadeias de abastecimento são moldadas e dirigidas por pessoas, através de demanda, fornecimento, habilidades e liderança.  Economias de habilidade tornaram-se muito valiosas para o comércio global e para cadeias de abastecimento, e tanto a fragmentação quanto as ineficiências de mudanças de abastecimento devem ser enfrentadas e evitadas por meio de conhecimento especializado e boa vontade. A geopolítica pode sugerir uma tendência ao nacionalismo, no entanto, os jovens em todo o mundo parecem ainda aspirar fortemente à globalização e à cooperação internacional. A Internet e as mídias sociais ajudaram a promover a conectividade global principalmente entre os mais jovens, que também estão mais atentos à ameaça das mudanças climáticas. Há um forte argumento para mais diálogo e envolvimento com os jovens.

Este foi o primeiro evento ‘Em conversa com Brennan & Partners’. O próximo acontecerá em Junho e terá como foco sustentabilidade e inovação.

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